Heroína fora de esquadro

Imagine uma punk gótica com sérios problemas emocionais, coloque num liquidificador e junte adrenalina, violência e inteligência. Essa é a receita de Lisbeth Salander, heroína fora de todos os esquadros e padrões do cinema, não apenas porque ela consegue ser sexy mesmo sendo tão estranha, mas principalmente, porque não esperamos algo assim de uma típica garota “do bem” dos filmes de Hollywood.

Afinal, nos habituamos a ver esse perfil aplicado a alguma psicopata de filmes de suspense ou com um grau negro de humor em filmes Cult. No entanto, estamos falando de uma das personagens mais adoradas da literatura moderna, com direito a tremendas discussões em sites mundo afora sobre quem deveria ou não interpretá-la nos cinemas. E quando se vê, pela primeira vez, a aparição dela nas telas, é no mínimo chocante.

Ah, desculpem, já entrei falando da Lisbeth sem dizer o livro Cult, filme magnífico. Trata-se de “OS HOMENS QUE NÃO AMAVAM AS MULHERES” (THE GIRL WITH DRAGON TATOO), que ganhou não uma, mas duas versões para o cinema, muito próximas uma da outra. Uma no idioma original do livro original, sueco, e uma refilmagem americana sob a batuta de David Fincher, no ano passado.

Quando entrei no cinema para ver a versão americana – sou fã confessa do diretor David Fincher – não esperava a catarse que se seguiu a exibição da película. Daniel Craig está excelente como sempre, mas o segredo está em Rooney Mara, atriz que deu vida a diva dos livros da trilogia Millenium, do escritor sueco Stieg Larsson. Não é o visual que brinca com a androgenia, mas a personalidade que ela emprestou a personagem que a torna tão cativante a ponto de você, do lado de cá, entender cada uma das atitudes pouco ortodoxas de Lisbeth ao longo da projeção.

Noomi RapaceAliás, a escolha de Rooney Mara fora duramente criticada, afinal, a atriz sueca Noomi Rapace conseguira personificar a descrição de Larsson na versão local que ganhou não apenas a simpatia dos fãs, mas fora a interpretação dela determinante pela decisão de Fincher em trazer para o universo cinematográfico americano. No entanto, a bela atriz americana – vista recentemente como uma vigarista ao lado de Robert Downey Jr. em SHERLOCK HOLMES – O JOGO DAS SOMBRAS, não apenas convenceu e fez jus a escolha arriscada do diretor, como levou a uma indicação ao Oscar® de melhor atriz este ano.Rooney Mara

Eu estou na torcida pela finalização da trilogia também nos Estados Unidos, já que na Suécia os três filmes já foram lançados e incensados pela crítica. Afinal, só nos próximos filmes dará para entender quem realmente é Lisbeth Salander. Que venham então, A MENINA QUE BRINCAVA COM FOGO e A RAINHA DO CASTELO DE AR.


Todos temos direito a uma trilha sonora

Assistindo ao Rock in Rio 2011, lembrei do quanto algumas músicas se tornam importante em tantos momentos da vida. Amante confessa de cinema, de todas as vertentes e de diversos diretores, confesso que muitas vezes uma canção me remete àquele filme, daquele dia, sozinha ou acompanhada. Quem nunca ouviu a uma canção em especial sem lembrar-se de alguma cena em especial daquele filme que tanto se gosta. Como diz a personagem de Barbra Streisand em O ESPELHO TEM DUAS FACES, nossa vida merece uma trilha sonora.

Por isso, resolvi lembrar cenas memoráveis do cinema, cuja canção se imortalizou por nos fazer lembrar o filme cada vez que ela é executada. Tudo bem, serão filmes mais antigos, mas que merecem uma revisão por quem já os assistiu ou serem descobertos por aqueles que são jovens demais para terem visto.

IT MUST BEEN LOVE – A canção principal de UMA LINDA MULHER é Pretty Woman, mas quem não recorda de Julia Roberts com os olhos molhados, dentro da limusine, deixando Richard Gere no quarto do imponente hotel nas cenas finais do filme, ao som da canção de Roxete. Afinal, poderia ser amor, mas acabou agora…

TAKE MY BREATH AWAY – Acho que tirando os fãs, poucas pessoas conhecem outra canção do Berlim, afinal, o tema de TOP GUN – ASES INDOMÁVEIS se tornou um ícone e até hoje remete os saudosistas as cenas quentes de Tom Cruise com Kelly McGillis no filme que lançou o marido de Katie Holmes ao estrelato. Aliás, cena parodiada com perfeição hilária por TOP GANG, com Charlie Sheen.

GIRL, YOU´LL BE A WOMAN SOON – Essa música me remete sempre a cena de Uma Thurman e John Travolta dançando em PULP FICTION, filme de Quentin Tarantino que por mais que traga a gama de violência clássica dos filmes do diretor, possui cenas simplesmente memoráveis.

ALL BY MYSELF – Nunca mais consegui ouvir essa música sem lembrar Reneé Zellweger em O DIÁRIO E BRIDGET JONES, numa cena memorável depois de declarar que não se importava em ficar sozinha nas festas de final de ano. Aliás, a trilha sonora desse filme inteira é perfeita, porque não tem como escutar uma única canção sem lembrar exatamente em qual cena ela toca dentro do contexto da história.

I DON’T WANT TO MISS A THING – Aerosmith marcou a cena em que Liv Tyler assistir ao pai Bruce Willis morrer para salvar o mundo em ARMAGEDON e o namorado Ben Affleck retornar como um herói para a Terra. Memorável, sem dúvida.

WHAT A WONDERFUL WORLD – Louis Armstrong é um ícone que nem precisava de um filme para eternizá-lo, mas dois filmes conseguiram transformar a música dessa divindade da música e apresentá-la para diversas gerações. Em BOM DIA, VIETNÃ, ela tem o dom de ironizar os horrores da guerra ao ser tocada por Robin Willians e em MADAGASCAR, ela ilustra as dificuldades dos animais com o mundo selvagem.

GHOSTBUSTERS – Bom, essa não precisa nem pensar muito. Quem tem por volta dos trinta anos, cada vez que escuta essa música só pode recordar de um gigante de marshmellow ou a Estátua da Liberdade caminhando por Nova York. Afinal, nada é mais icônico que os Caça Fantasmas.

IRIS / UNINVITED – Duas músicas, um filme. Ambas me fazem lembrar Nicolas Cage e Meg Ryan em CIDADE DOS ANJOS. Cada momento do amor entre o anjo e a médica. Romance e perfeição. Ambas absolutamente conectadas a essa refilmagem marcante. Enquanto Go Go Dolls nos diz o que o anjo sente pela médica, afinal ele desiste da eternidade para tocá-la; enquanto Alanis Morissete responde o que a humanidade tem a dizer a ousadia desse anjo que desafia a lei divina por amor, que ele não é convidado.

BRING TO THE LIFE – Por falar em Rock in Rio, Evanescence que toca no encerramento do festival neste domingo, 02 de outubro, é responsável pelo lindo tema de DEMOLIDOR, na cena em quem ELEKTRA se prepara para enfrentar o herói sem medo, a quem ela acusa de ser responsável pela morte do pai. Jennifer Garner, perfeita na pele da ninja assassina.

Poderia citar outras, muitas outras músicas e filmes, mas deixo para que cada um deixe aqui aquela que mais o marcou…

Grandes vozes

Eu sou fã de filmes legendados, gosto do som original. Mas filmes dublados também são tudo de bom. Não consigo imaginar Eddie Murphy sem a voz de Waldyr Sant’Anna ou Merryl Streep e Glenn Close sem Sumara Louise.

Nossos dubladores são feras e há personagens que não seriam tão legais se não fosse às vozes que ganham por aqui. Alguém duvida? Façamos um teste: Scooby Doo não seria o mesmo sem Orlando Drummond, ou o inseparável amigo Salsicha sem Mário Monjardim, ou seria? Cosmo, de Os Padrinhos Mágicos, conseguiria ser tão divertido sem Guilherme Briggs, o mesmo sujeito que torna alguns personagens simplesmente inesquecíveis?

Quando era criança, achava engraçado não ver um filme dublado e ouvir a voz original do ator me causava certa decepção. Hoje gosto das duas versões, simplesmente, porque me tornei fã tanto dos atores quanto de seus dubladores. Gosto de saber quem está por trás daquele galã hollywoodiano e descobrir que muitas vezes aquela VOZ pertence a alguém totalmente diferente do ator.

Quem imaginaria que o sujeito por detrás de estrelas como Mel Gibson é um senhor muito simpático chamado Júlio Chaves? Que a mesma Miriam Fisher que dá vida a malvada babá Vick também faz a doce e desmemoriada Drew Barrymore em COMO SE FOSSE A PRIMEIRA VEZ ou a rebelde Jennifer Grey em DIRT DANCING?

Portanto, eu aproveito para dar os parabéns a esses profissionais tão conhecidos de todos os brasileiros desde os desenhos animados preferidos até os blockbusters do momento e cuja verdadeira face permanece incógnita para a grande maioria.

Cinquenta anos de um clássico

Quando Audrey Hepburn aparece com um longo preto, tiara nos cabelos e tomando o café da manhã em frente à requintada joalheria Tiffany, em Nova York, ninguém se importa se ela é ou não uma moça de “vida fácil”. Simplesmente, estamos diante de um dos maiores clássicos do cinema e a bela atriz faz jus ao título em português: BONEQUINHA DE LUXO.

Este lindo filme de Blake Edwards inspirado na obra de Truman Capote completa cinqüenta anos e ainda não me cansei de assisti-lo. Havia ainda ali poesia, lindas canções interpretadas pelo elenco e uma inocência deliciosa.

Se chocou ou não os anos 60 um filme sobre uma jovem sonhadora que trocou marido e casamento pelo desejo de ser atriz e terminou amante de um mafioso e acompanhante de luxo para magnatas na capital do mundo, sinceramente, não sei, mas não por acaso concorreu a cinco prêmios da Academia e levou dois: melhor canção, Moon River, cantado pela doce voz de Audrey Hepburn, e melhor trilha sonora.

Algumas curiosidades são válidas sobre a produção: o filme é realmente apenas inspirado no livro do jornalista Truman Capote, já que Holly Golightly – que seria vivida, inicialmente, por Marilyn Monroe e teve até mesmo Kim Novak cotada para o papel – teve sua bissexualidade omitida para melhor se adaptar a Audrey Hepburn. Assim como a homossexualidade do escritor vizinho da garota de programa e único amigo que não faz nem sombra na película, o personagem interpretado por George Pepper,vive um bloqueio criativo e conta com auxilio financeiro de uma amante rica para continuar com o sonho de escrever um grande romance.

Detalhes de bastidores á parte, BONEQUINHA DE LUXO tem na cena da Tiffany algo muito imitado em diversos filmes ao longo desse meio século, incluindo, recentemente, uma breve homenagem pelo elenco do seriado GLEE, que encerrou a segunda temporada com os personagens de Lea Michele e Chris Coffer imitando Holly e tomando o café da manhã em frente a requintada joalheria.

Smurf essa ideia

Confesso que smurfei o filme dos Smurfs. Brincadeira a parte, acho que como muitos pais usei meu filho para conferir a estréia do filme que traz as criaturinhas azuis da minha infância e ter certeza que em live action, ninguém destruiria o mítico desenho sobre os pequeninos seres e o malvado e hilário mago Gargamel junto ao inseparável gato Cruel. Para minha surpresa, tudo estava lá, me senti criança de novo ao rir das piadas e das situações e posso garantir que a presença dos humanos e do cenário de Nova York ajudou na modernização da história.

Neil Patrick Harris e Jayma Mays oferecem um frescor humano a toda perseguição tradicional (a cena de Neil ensinando os Smurfs a jogar Guitar Hero é sensacional), mas é Hank Azaria que arrasa como Gargamel e a total falta de talento do pobre mago em conseguir o intento de capturar Papai Smurf e Cia., não podendo contar exatamente com Cruel como seu fiel escudeiro, já que a maior diversão do felino é ver seu dono se dar mal. Então, crianças de plantão, todos merecem uma ida ao cinema para ver essa história divertida e totalmente sessão da tarde.

X-Men – Primeira Classe

Aproveitando o lançamento em DVD/Blu Ray de “X-MEN – PRIMEIRA CLASSE” e a estréia de CAPITÃO AMERICA – O PRIMEIRO VINGADOR¸ não poderia deixar de fazer uma pequena e breve comparação entre as duas produções advindas das histórias em quadrinhos da Marvel.

Tentarei  não deixar que a minha quase devoção pelos mutantes interfira nas linhas a seguir, mas não posso prometer nada. Primeiro o ponto em comum: ambas produções contam com um elenco composto por grandes nomes da velha guarda de Hollywood e também com jovens e promissores talentos da nova geração.

O que difere os dois filmes, entretanto, começa no roteiro e na condução da história em geral. Mesmo os dois filmes mostrando inícios, de um lado os primeiros passos de Xavier e Magneto rumo ao nascimento dos X-Men e conseqüentemente da Irmandade,  e de outro a transformação de Steven Rogers em Capitão America, um grande abismo se abre entre os dois quando mostrados sob a lupa.

Enquanto X-MEN – PRIMEIRA CLASSE prima pela atuação impecável de James McAvoy e Michael Fassender, esmiuçando as razões e os caminhos que tornariam o Professor Xavier e Magneto amigos e posteriormente adversários e os conflitos de ser ou não aceito devido às diferenças emprestados pela talentosa Jennifer Lawrence com muita delicadeza a jovem Mística. Diante disso, CAPITÃO AMÉRICA se mostra realmente uma introdução para compreender melhor OS VINGADORES, com estréia prevista para 2012.

A aventura dos mutantes se mostrou um trabalho muito bem conduzido pelo diretor Matthew Vaughn, sujeito que já tinha feito bonito com Kick-Ass, mesclando humor, ação, efeitos visuais e muita humanidade personificada por um elenco afiado e um vilão que devolveu ao veterano Kevin Bacon o merecido posto entre os grandes nomes do cinema americano. Um trabalho como esse supera o “filme de super heróis” para se firmar como um excelente filme para todos os amantes da sétima arte, assim como ocorreu com o impecável BATMAN – CAVALEIRO DAS TREVAS, de Christopher Nolan.

Capitão América – O Primeiro Vingador

A Marvel volta a mostrar o potencial dos quadrinhos que fizeram a história da marca. “Capitão América – O Primeiro Vingador” possui todos os elementos de uma boa HQ, com um elenco afiado, divertido e definindo Hugo Weaving como uma dos maiores intérpretes de vilões de todos os tempos. Se Chris Evans leva as damas ao delírio com o corpo sarado – até Peggy Carter tenta testar o resultado do supersoldado – é o Caveira Vermelha – seja com a “máscara” do rosto de Weaving, ou com o aspecto “real” da experiência – quem mostra o quanto a megalomania pode seduzir milhões, um mal temido e adorado. Com isso, só nos resta dizer: QUE VENHAM OS VINGADORES!

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